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Alexandre Frota é expulso do PSL após críticas ao governo e ao presidente Jair Bolsonaro

Alexandre_Frota22O Partido Social Liberal (PSL) decidiu expulsar o deputado federal federal Alexandre Frota (SP) de seus quadros na manhã desta terça-feira, 13. Frota vinha fazendo críticas à legenda e ao governo de Jair Bolsonaro. Como pano de fundo está o veto do Palácio do Planalto a indicações do parlamentar para cargos na Agência Nacional de Cinema (Ancine) e a perda de poder do diretório municipal de Cotia, na região metropolitana da capital paulista.

Oficialmente, a executiva nacional do PSL justificou a saída afirmando que Frota demonstrou “infidelidade” ao atacar o governo e colegas de bancada nos últimos meses. O deputado foi criticado, sobretudo, por se abster na votação do segundo turno da Previdência, o que foi considerado uma “traição” à legenda.

A proposta foi aprovada por 370 votos a favor, 124 contra e uma abstenção, a do parlamentar. “Não concordamos com os argumentos dele”, afirmou Luciano Bivar, presidente do partido, justificando a decisão de seu partido em expulsá-lo.

A situação do parlamentar na sigla piorou após ele afirmar que o presidente Jair Bolsonaro é a sua “maior decepção” e que a indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu filho, para a embaixada brasileira em Washington representa a “velha política”. O deputado entrou, ainda, em disputa com Eduardo Bolsonaro, também deputado e filho do presidente, pelo comando do PSL paulista.

Os controles dos diretórios municipais do PSL no Estado viraram uma disputa entre o grupo político do senador Major Olímpio (PSL-SP) e parte dos parlamentares não ligados à bancada militar, como Junior Bozella e o próprio Frota. O senador articulou o processo de expulsão endossando o pedido feito pela deputada federal Carla Zambelli, subscrito pelos também deputados Caroline di Toni (SC), Bia Kicis (DF) e por Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP).

Frota afirmou publicamente que o senador instalou uma “milícia de ex-PMs” no PSL. Irritado, Olímpio pediu a sua expulsão. Os dois brigavam por espaço na estrutura do partido. No sábado, Frota desativou seus perfis nas redes sociais. A medida foi vista como uma “prevenção” aos ataques que poderá vir a sofrer com a expulsão. No Facebook, Frota tinha 1,1 milhão de seguidores. No Twitter, somava 170 mil seguidores.

No início de agosto, Alexandre Frota assinou uma carta aberta a Bolsonaro, na qual critica ampla e abertamente a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada dos Estados Unidos. O deputado afirmou que o filho do presidente não era qualificado o suficiente para o cargo e classificou a nomeação como um “mimo”. “A diplomacia nesse nível pressupõe notórios conhecimentos de política internacional, amplos relacionamentos e, sobretudo, profundas habilidades de negociação. Eduardo nada tem de diplomático, haja vista ter aventado até mesmo o fechamento do STF por ‘um cabo e um soldado'”, escreveu Frota.

Em abril, Alexandre Frota publicou uma série de mensagens em sua conta oficial no Twitter, afirmando que o PSL já havia sido ameaçado pelo governo e atacando o guru ideológico de Bolsonaro, Olavo de Carvalho. “O PSL é dividido entre a tropa de choque, os olavos amestrados e os coisas. Querem saber quando vamos nos entender? Todos os dias temos que ficar limpando as cagadas do governo e aí temos que ouvir um monte de merda que não é culpa nossa”, escreveu ele.

Frota também declarou publicamente que se opunha à indicação do Eduardo Bolsonaro para o comando do PSL em São Paulo, aderindo ao grupo que apoiava a escolha de Joice Hasselmann para essa função. “Estou aguardando há dez dias os documentos de prestações de conta do diretório estadual e até agora não me enviaram”, afirmou o deputado.

Na mesma semana, ele publicou em suas redes sociais uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo sobre os seis meses do caso Queiroz. No final de julho, depois de já ter criticado algumas falas do presidente em seu Twitter, o deputado expressou mais uma vez a sua indignação com o comportamento de Jair Bolsonaro, afirmando que os aliados do governo só tiveram paz em dois momentos, desde a posse: “quando o Twitter ficou fora do ar e quando Bolsonaro tirou o dente”.

Alexandre Frota foi um dos principais articuladores e estrategistas do PSL durante o primeiro turno de votações da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Na época, ele criticou a falta de empenho do presidente em aprovar o texto, ao não estabelecer uma base de apoio maior no Congresso: “Bolsonaro precisa agora entender que para governar precisa contar com os deputados, não é o Olavo de Carvalho que vota a Previdência, ele não é deputado”.

Resumindo, a paciência do PSL com ele transbordou o copo e veio a expulsão. Alexandre Frota é um tipo impulsivo incontrolável.

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