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Ambev atrapalhada e perdendo valor com os fracassos das suas cervejas Skol e Brahma

O BTG Pactual engrossou a lista de instituições pessimistas com o desempenho da Ambev nos próximos meses. O banco cortou o preço-alvo de suas ações de R$ 20,00 para R$ 19,00. O valor é praticamente o mesmo com que a maior cervejaria das Américas é negociada nos últimos dias. Na segunda-feira (20), por exemplo, ela fechou cotada em R$ 18,80.

O BTG Pactual também reforça sua recomendação neutra para a Ambev. Isso significa que, para o banco, o desempenho dos papéis deve oscilar em uma faixa de 10% para cima, ou para baixo, em relação à média das ações do setor. A redução do preço-alvo foi baseada no corte de outras estimativas. “Nosso ebitda 2020 para a Ambev e o LPA (lucro por ação) baixaram cerca de 12% cada, e estamos agora 4% e 3% abaixo do consenso, respectivamente”, afirma o relatório assinado pelos analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin.

Os números do quarto trimestre, que devem ser divulgados pela empresa em 28 de fevereiro, preocupam o banco, mas o maior problema não é o passado, mas o futuro da cervejaria. De acordo com os analistas, o ambiente não anda nada favorável para a Ambev. O ponto fundamental é o que acontecerá com as marcas Skol e Brahma, consideradas o “coração” da cervejaria, por responderem por três quartos de seu volume de vendas.

O BTG Pactual observa que, nos últimos 20 anos, o sucesso da Ambev deveu-se à sua capacidade de extrair o máximo de lucro de cada litro vendido. Mas, agora, dois fatores mudaram tudo: o aumento da competição e a estagnação do mercado brasileiro de cervejas. De um lado, as cervejas artesanais e as marcas premium avançam. De outro, estamos consumindo menos bebidas alcóolicas.

Tudo somado, o BTG Pactual nota que, há algum tempo, a Ambev busca manter ou retomar sua participação de mercado, às custas de sacrificar seus preços e, portanto, suas margens. Embora digam que a empresa conta com um forte portfólio de marcas premium para enfrentar a sofisticação do consumo, os analistas frisam que vêem “a recuperação da Skol e da Brahma como o componente mais importante por trás da capacidade da Ambev de retomar um crescimento lucrativo”.

E emendam: “Acrescentamos, portanto, premissas mais conservadoras de preço e margem nas nossas estimativas de 2020, já que a Ambev se concentra, claramente, em preservar sua participação de mercado e reiniciar o crescimento do volume”. (Money Times)

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