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Empreiteiro delator narra entrega de R$ 2 milhões na sede nacional do PT em São Paulo

O empresário Mário Seabra Suarez, que fechou delação premiada com o Ministério Público Federal, relatou entregas de R$ 2 milhões na sede do PT Nacional, em São Paulo, no endereço histórico da agremiação, à Rua Silveira Martins, na Sé. Ele é alvo da Operação Sem Fundos, que investiga pagamento de propinas nas obras da Torre de Pituba, prédio da Petrobrás em Salvador.

Ele cita, em seu acordo, operadores do senador Jaques Wagner (PT), além de personagens já condenados na Operação Lava Jato, como o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Também cita Armando Trípodi, ex-chefe de gabinete do petista José Sérgio Gabrielli na presidência da estatal.

Ele já é denunciado em outra ação da Lava Jato por pagamento de propinas em troca da promessa de facilitar acesso ao então presidente da Petrobrás. O acordo envolveu o advogado Roberto Podval, defensor do petista José Dirceu, criminalista que usualmente não trabalha com delação premiada.

Esta não é a primeira vez que a sede do PT é citada como destino de entregas de propinas no âmbito de investigações. O doleiro Alberto Youssef já confessou também ter levado R$ 800 mil para Vaccari no diretório, que chegou a ter o sigilo telefônico quebrado na Operação.

A Operação Sem Fundos mira esquema de propinas de R$ 68 milhões para o PT e ex-dirigentes do Fundo Petros e da Petrobrás no âmbito das obras de construção da Torre Pituba, sede da estatal petrolífera em Salvador.

Os investigadores trabalham com a suspeita de superfaturamento de R$ 1 bilhão nas obras – inicialmente orçadas em R$ 320 milhões, saíram por R$ 1,32 bilhão.

Suarez foi sócio da Mendes Pinto Engenharia. Ele afirma que houve um acerto por contratos na estatal para a empreiteira, que envolveu Newton Carneiro, ex-diretor do Petros, Trípodi, e Paulo Afonso – falecido sócio da empreiteira.

Eles teriam feito a aproximação com Vaccari, na qualidade de “caixa do PT”. Segundo o delator, “nesse momento, ainda não havia um estudo prévio que indicasse o valor total de investimento, mas apenas uma promessa de pagamento de vantagem indevida, sem qualquer valor estabelecido” e que “os valores foram firmados mais à frente”.

O empresário narra que Vaccari acertou com Paulo Afonso propinas de R$ 9,6 milhões, que seriam divididas entre o PT Nacional, representado pelo ex-tesoureiro, a diretoria da Petros, representada por Newton Carneiro e Wagner Pinheiro; e a Petrobrás, representada por Trípodi. Outra parte seria destinada ao PT da Bahia, a Carlos Daltro, apontado como operador do senador Jaques Wagner.

O empresário afirma que Vaccari indicou intermediários para receber o dinheiro, como uma cunhada sua, e o doleiro de Salvador Luiz Eduardo, que usava um correspondente “em São Paulo para efetuar entregas na própria sede do PT em São Paulo, na Rua Silveira Martins, 32 – bairro da Sé”.

O delator relata que “em duas ocasiões, Sormany, funcionário de Paulo Afonso, esteve em São Paulo, na sede do PT, para realizar a entrega de valores”. Ele afirma que “na primeira entrega, ele e Alexandre Fernandes, também funcionário da Mendes Pinto Empreendimentos, viajaram em vôo comercial a partir de Belo Horizonte, e que Sormany recebeu 200 mil reais de Paulo Afonso, colocou em dois envelopes e ambos levaram os valores nas costas, dentro da camisa e que, “chegando em São Paulo, Alexandre Fernandes entregou o envelope a Sormany, que ficou encarregado de fazer a entrega no PT”.

O empresário forneceu, inclusive, os dados do taxista que o levou até a sede do PT, no centro de São Paulo. Os valores foram entregues a uma secretária de Vaccari. Além disso, forneceu aos investigadores outros dados, como de ligações telefônicas entre o partido e a empreiteira.

Sormany, operador de Paulo Afonso Mendes Pinto, foi delatado aos investigadores no esquema da Torre Pituba por ter viajado com dinheiro de propina em vôos comerciais. Segundo o delator premiado Mario Seabra Suarez, Sormany colou dois envelopes com R$ 200 mil nas costas e os escondeu dentro da camisa. Com o dinheiro, o operador pegou um vôo de Belo Horizonte a São Paulo.

Na capital paulista, diz Mario, foi até a sede do PT e entregou a propina para uma secretária de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do partido. Em uma segunda entrega, o delator conta que Sormany teria de viajar novamente de Belo Horizonte a São Paulo. Dessa vez, despachou o dinheiro dentro de uma mala. Outras duas viagens foram feitas para o repasse de R$ 400 mil na sede do PT em São Paulo. Nessas oportunidades, o deslocamento foi feito por um aeronave alugada por Paulo Afonso.

O ex-presidente da Petros, Luis Carlos Fernandes Afonso, recebeu R$ 500 mil em propina na sede do fundo de pensão, segundo relato do empresário Mario Suarez em sua delação na Lava Jato. Suarez afirma que o dinheiro foi pago para garantir a assinatura de um aditivo contratual para a construção da Torre Pituba, elevando o valor em 6%. Ele afirmou que havia um movimento de Luis Carlos Fernandes dificultando a efetivação do aumento, o que prejudicava os pagamentos para a empresa MPE. “Que Paulo Afonso, sócio da MPE, esteve com Luiz Carlos Fernandes no mês de junho de 2012 e informou ao depoente que tinha acertado com ele o pagamento de R$ 500 mil; Que, de fato, em julho de 2012 o aditivo contratual foi assinado; Que Luiz Cardos Fernandes Afonso recebeu o total de R$ 500.000.00 (quinhentos mil reais) a partir do segundo semestre de 2012. entregues pessoalmente e em espécie por Paulo Afonso, na sede da Fundação Petros, no Rio de Janeiro”.

O delator Mario Suarez afirmou que o esquema da Torre Pituba comprou para o ex-diretor da Petros, Newton Carneiro, uma Land Rover, além de ter pago a reforma no apartamento dele no Rio de Janeiro e a compra de material de construção para uma obra. Suarez disse que o ex-diretor do fundo recebeu pagamentos mensais de R$ 50 mil, totalizando R$ 3,8 milhões. “Que, além disso, Newton comprou um carro Land Rover Discovery em uma concessionária chamada Land Rio, localizada no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, cujo valor foi pago por Paulo Afonso (sócio da empresa MPE); Que o pagamento foi feito da seguinte forma: um sinal foi pago por Paulo Afonso, pessoalmente, em espécie. Diretamente na concessionária. e o restante foi financiado em nome de Newton e os carnês foram entregues a Paulo Afonso, que os pagava mensalmente, em espécie”.

O seguro do carro também teria sido pago pelo sócio da MPE. A outra contrapartida foi por duas obras pessoais do ex-diretor. “Que a outra forma de contrapartida foi o pagamento de duas obras privadas feitas por Newton; Que a primeira obra se tratou de uma pequena reforma feita no apartamento de Newton, localizado no Rio de Janeiro; QUE na segunda obra, realizada entre 2013 e 2014, Paulo Afonso pagou a mão de obra e os materiais para construção de um imóvel de propriedade de Newton”.

Delatores da Operação da Torre Pituba disseram ao Ministério Público Federal que entregas de propina da Mendes Pinto Engenharia destinadas a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, foram feitas na sede do partido em São Paulo. Segundo o empresário Alexandre Suarez, o valor pago em dinheiro vivo na sede do partido na capital paulista chegou a 2 milhões de reais.

O delator Mario Seabra Suarez, sócio de Paulo Afonso Mendes Pinto, conta que os valores eram entregues por diversas pessoas. “Parte dos valores pagos a João Vaccari era entregue em espécie por Paulo Afonso a pessoas indicadas por ele, como sua cunhada, ou por intermédio de um doleiro de Salvador, Sr. Luiz Eduardo, que fazia operações de dólar-cabo a partir de sua conta da Suíça, no banco UBS. QUE o doleiro usava um correspondente em São Paulo para efetuar entregas na própria sede do PT em São Paulo”. Em um dos casos, Paulo Henrique, filho de Paulo Afonso, alugou um avião para entregar propina na sede do PT. Mario Suarez contou que Paulo Henrique optou pelo aluguel por “medo de passar no aeroporto com estes valores”.

O rateio da propina do esquema para a construção da Torre Pituba, sede da Petrobras em Salvador (BA), envolveu até mesada para a campanha que elegeu o poste de Lula, a mulher sapiens petista Dilma Rousseff, em 2010, de acordo com nova delação da Lava Jato.

Segundo o empresário Mario Suarez, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebeu um total de R$ 2 milhões em vantagens indevidas e ficou acertado que o petista receberia R$ 100 mil por mês para atender demandas da eleição presidencial de 2010. Suarez afirmou que os pagamentos foram efetivados entre janeiro e setembro daquele ano.

Os repasses para Vaccari foram intermediados, diz o delator, por doleiros e até por sua cunhada. “QUE, posteriormente, os percentuais acima foram alterados porque os dirigentes da PETROS e da Petrobras passaram a cobrar um valor maior do que o acordado; QUE então, Paulo Afonso, para compensar esses pagamentos, deixou de pagar o valor total prometido ao PT Nacional e ao PT Bahia; QUE foram feitos pagamentos a João Vaccari. tesoureiro do PT a título de propina, que totalizaram cerca de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais); QUE à época, ficou definido que Vaccari receberia R$ 100.000,00 por mês, mas, para atender demandas da eleição presidencial de 2010, Vaccari pressionou e a maior parte dos pagamentos foi efetivada entre janeiro e setembro daquele ano; QUE posteriormente, João Vaccari se desentendeu com Paulo Afonso, pois este descontou do valor total da propina acordada ao PT Nacional, os valores pagos a maior aos dirigentes da PETROS e da Petrobrás; QUE parte dos valores pagos a João Vaccari era entregue em espécie por Paulo Afonso a pessoas indicadas por ele. como sua cunhada, ou por intermédio de um doleiro de Salvador, Sr. Luiz Eduardo.que fazia operações de dotar-cabo a partir de sua conta da Suíça, no banco UBS”.

De acordo com o delator, o dinheiro da propina era dividido da seguinte forma: 1/3 para o PT Nacional, representado por João Vaccari, 1/3 para PETROS, representada por Newton Carneiro e Wagner Pinheiro, e Petrobras, representada por Armando Tripodi, que era chefe de gabinete de Sergio Gabrielli, e 1/3 para o PT da Bahia, representado por Carlos Daltro, que era caixa de campanha de Jaques Wagner.

Esses valores, porém, foram reajustados após pressão de representantes da Petros que pediram mais propina, afirmou Mario Suarez. “QUE posteriormente. os percentuais mencionados foram alterados porque os dirigentes da PETROS e da Petrobrás passaram a cobrar um valor maior do que o acordado, e Paulo Afonso, para compensar esses pagamentos, deixou de pagar o valor total prometido ao PT Nacional e ao PT Bahia”.

Na delação, o empresário Alexandre Suarez revela pagamentos de propina na sede da estatal, no Rio de Janeiro. Segundo o delator, Armando Tripodi, então chefe de gabinete de Sergio Gabrielli, presidente da empresa à época, recebeu 100 mil reais por mês em dinheiro vivo entre fevereiro e novembro de 2010, totalizando 1 milhão de reais. Tripodi foi beneficiado com a grana, ainda de acordo com Suarez, porque agiu na diretoria e no conselho da Petrobras para que a Mendes Pinto Engenharia vencesse a licitação do empreendimento na capital baiana.

Os pagamentos eram feitos por Paulo Afonso, um dos sócios da Mendes. Na delação, o empresário Alexandre Suarez revelou um apartamento que funcionava como bunker da propina distribuída no esquema. As chaves do imóvel, localizado no edifício Torre de Osaka, no bairro de Brotas, na região central de Salvador, ficavam com o engenheiro Rodrigo Barreto, funcionário da Mendes Pinto Engenharia na capital baiana. No apartamento, segundo o delator, havia um cofre, onde Barreto guardava os valores para serem entregues, de acordo com a necessidade, para o repasse a dirigentes da Petros, da Petrobras e do PT.

O delator Marcos Suarez afirmou que os pagamentos do esquema envolvendo a fraude para as obras da Torre Pituba seguiu o roteiro utilizado para operacionalizar outras vantagens indevidas, com repasses em hotel, uso de codinome e transporte de dinheiro até nas meias. Segundo Suarez, isso ocorreu em repasses da OAS, sendo que a empreiteira passou a participar do pagamento de propina ao PT Nacional, que seria repassado a João Vaccari, ao PT da Bahia, de responsabilidade de Carlos Dalto, e dirigentes do Petros e Petrobras em contrapartida ao direcionamento do procedimento seletivo para que a Mendes Pinto Engenharia se sagrasse vencedora e fosse a empresa responsável por proceder a seleção de profissionais que elaborariam projetos para empreendimento.

“Que uma vez com os valores em mão, os intermediadores se encarregavam de levar o numerário a Paulo Afonso, em Belo Horizonte ou Rio de Janeiro ou ao depoente em Salvador, em geral por transporte aéreo. O dinheiro normalmente era despachado em malas, ou trazido de forma oculta sob as roupas e em meias, e entregue em mãos a Paulo Afonso, nas localidades antes mencionadas. Em uma determinada ocasião, o valor transportado era muito alto e Paulo Afonso determinou que alugassem um veículo para fazer trajeto Salvador/Belo Horizonte, entre os dias 25 e 27 de maio de 2012”, contou o delator.

Segundo o Ministério Público Federal, o empreendimento da Pirituba foi construído em meio a pagamentos de propinas de R$ 68 milhões pelas empreiteiras OAS e Odebrecht a ex-dirigentes da estatal petrolífera, do PT e do fundo Petros. O terceiro delator é Marcos Felipe Mendes Pinto, filho de Paulo Afonso Mendes Pinto, empresário já morto que era o responsável por pagar a propina, junto de seu sócio, Mário Suarez.

Os acordos já foram homologados pela 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba. Mario Suarez foi um dos alvos da 56.ª Fase da Operação Lava Jato, denominada “Sem Fundos” e deflagrada no ano passado. A Lava Jato aponta que houve fraude na contratação da empresa gerenciadora da obra (Mendes Pinto Engenharia), da responsável pelo projeto executivo (Chibasa Projetos de Engenharia) e das empreiteiras OAS e Odebrecht, que ficaram com 50,1% e 49,9% de participação na construção da sede.

Mais de 50 anexos detalham como o dinheiro da Torre Pituba foi desviado para abastecer os cofres de petistas na Bahia. Os dirigentes da Petrobras e da Petros conceberam o empreendimento Torre Pituba para abrigar a sede da Petrobras em Salvador. A Petros se comprometeu a realizar a obra e a Petrobras, a alugar o edifício por 30 anos (construção na modalidade built to suit). Foi acertada propina de 7% do valor da obra. Com os aditivos contratuais e as novas contratações, o valor do empreendimento da Torre Pituba ficou em R$ 1,3 bilhão.

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