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Exportações devem ser a salvação para os arrozeiros gaúchos

Produção gaúcha de arroz, a maior do País, que deve ser igual à da safra passada, às portas de uma nova colheita, tem expectativa positiva com a notícia passada pela embaixada brasileira, de que o México pretende importar 150 mil toneladas. Esse produto, o arroz, mal saía do País.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, espera um valor melhor para os produtores. O estado é o principal produtor nacional, em 935 mil hectares, perdendo mais de 260 mil desde 2017.

Oferta mais enxuta com exportações mais robustas, acima das 1,4 milhão/t de 2019, para 114 países, livrará um pouco o mercado interno do excesso. E o arroz em casca, apesar de valer menos que o beneficiado, puxa o mercado interno porque força as arrozeiras a ofertarem valores maiores.

A crise do setor no Rio Grande do Sul, com sucessivas quebras por clima e preços baixos, exigiria uma recuperação, a partir da próxima safra com início em fevereiro, no mínimo pouco acima de R$ 50,00 a saca. Os custos, segundo o produtor, estão em torno dos R$ 45,00.

O resultado desse cenário, que levou a uma queda de braço também com bancos – refratários às renegociações das dívidas – foi a saída de cena de aproximadamente quatro mil produtores, deixando a base produtiva gaúcha em oito mil nos últimos três anos. Ou saíram para outros negócios, como soja (não na rotação), ou venderam terras para outros.

Grande parte dos arrozeiros era de arrendatários de terras. “Temos hoje uma área média produtiva de 160 hectares por propriedade, sendo que já foi de 120”, explica Velho. Dessas áreas que somam mais de 900 mil hectares, da metade Sul para baixo, com o empurrão dos 30% que vem da fronteira Oeste do estado, é que deverão sair as cerca de 7,5 milhões/t, volume parelho com o da última safra, admite o presidente da Federarroz.

O Brasil todo poderá chegar a 10,5 milhões/t. Alexandre Velho enfatiza que as exportações serão a salvação da lavoura para os plantadores gaúchos. O México importa quase 900 mil toneladas anuais, maior parte o arroz híbrido americano, “sem a qualidade do nosso ‘agulhinha’ e tipo 1”, informa Velho, lembrando que a cota aberta ao Brasil pode ser preenchida tranquilamente, diante da queda da produção do maior fornecedor.

Por sinal, os Estados Unidos podem ter que importar mais do Brasil também, porque precisa cumprir os contratos de exportação uma vez que tem consumo interno que mal dá traço. Com esses cartões de visita, concorrendo em preços de US$ 515/525,00 a tonelada, em torno de US$ 100,00 sobre o produto asiático, ajudará a dar fidelidade e abertura de novos mercados.

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