Economia

Governo populista peronista decreta outro calote mundial nos seus títulos

A Argentina entrou em uma nova moratória nesta sexta-feira, a segunda neste século, ao deixar de pagar 500 milhões de dólares em juros sobre títulos de uma dívida que pretende renegociar antes de 2 de junho. O ministro da Economia da Argentina, o peronista populista Martín Guzmán, disse que as negociações com credores privados continuam com a oferta de reestruturação da dívida, mas reconheceu que ainda há “uma distância significativa” para chegar a um acordo. “Ainda há uma distância significativa a percorrer, mas, mais importante, todos os lados permanecem à mesa para encontrar uma solução”, disse Guzmán à agência oficial Télam nesta sexta-feira. É tudo lorota de gardelão caloteiro contumaz que quer enganar os seus credores, como costumam fazer os estelionatários. O governo argentino é exatamente isso, estelionatário reincidente.

É a nona vez que a Argentina, entre os principais exportadores de alimentos do mundo, entra em moratória. A última vez foi em 2001, com um default de mais de 100 bilhões de dólares, que desencadeou a pior crise social e econômica do país. No final desta quinta-feira, o governo argentino relatou uma prorrogação, até 2 de junho, do prazo para os credores aderirem à sua proposta pelos títulos por cerca de 66 bilhões de dólares em dívidas emitidas sob jurisdição estrangeira, prazo que venceu neste 22 de maio. O nome disso é calote.

Para a agência de crédito Moody’s, as perspectivas não são boas: “Hoje, após completar um período de carência de 30 dias, o governo da Argentina não pagou juros. A Moody’s antecipa que as perspectivas para a reestruturação da dívida da Argentina provavelmente se tornarão mais complicadas”, indicou Gabriel Torres, gerente sênior da agência de classificação de risco. O ministro da Economia, Martín Guzmán, ofereceu aos detentores de títulos uma troca por novos títulos, com um período de carência de três anos sem pagamento, uma retirada de 5,4% do principal e 62% dos juros, mas sua oferta foi rejeitada.

O governo argentino argumenta que é difícil honrar seus compromissos após dois anos de recessão, em um contexto de inflação alta (53% em 2019) e aumento da pobreza (33% em 2019). A dívida da Argentina totaliza 324 bilhões de dólares, equivalente a quase 90% do Produto Interno Bruto. Se as negociações não forem encerradas antes de 2 de junho e ocorrer uma nova extensão, a Argentina aguarda vencimentos adicionais de juros para o final de junho. Se o período de carência de 30 dias for considerado, o prazo máximo a pagar expirará no final de julho. Nesse caso, “os credores provavelmente irão considerar mais conveniente o litígio, considerando que é difícil para a Argentina chegar a um acordo no curto prazo”, disse Ignacio Labaqui, da Medley Global Advisors.

Com uma situação de inadimplência, os credores podem solicitar à Justiça aquilo que é conhecido como “aceleração” da dívida, ou seja, a demanda por seu pagamento integral. Além disso, com os títulos em moratória, existe o risco de que os fundos especulativos que adquirem essa dívida a um preço baixo, entrem em jogo e depois litiguem para terem grandes lucros. Conhecidos na Argentina como “abutres”, esses fundos já venceram o país nos tribunais de Nova York em 2014.

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