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Hospital São Lucas da PUCRS fecha setor materno-infantil nesta segunda-feira, apesar dos protestos de médicos, estudantes e enfermeiras

O Hospital São Lucas da PUCRS fecha, nesta segunda-feira (15), os 75 leitos do seu setor materno-infantil. Após firmar um convênio com a Secretaria Municipal da Saúde da prefeitura de Porto Alegre, grande parte dos leitos e profissionais da saúde passará ao Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas, localizado na Avenida Independência. A transferência começou em abril e termina no fim de julho. Com o fechamento do setor materno-infantil do São Lucas, aulas práticas da PUCRS serão realizadas na Santa Casa. O principal argumento da direção do Hospital São Lucas para fechar o setor materno-infantil, que atendia pelo SUS e particular, é o prejuízo financeiro, descrito como “muito crítico” pelo diretor da instituição, Leandro Firme, com uma dívida de R$ 300 milhões.

O hospital São Lucas da PUC tem título de filantropia do governo federal. Agora ele terceiriza as suas obrigações contratuais da filantropia, passando os serviços na área materno-infantil para o setor público. Ou seja, rigorosamente, deixa de cumprir no estipulado do contrato da filantropia, mas continua desfrutando das benesses.

Segundo o hospital Presidente Vargas, a instituição, que tinha 110 leitos, ganha agora 82 (totalizando 192 vagas), 250 médicos, enfermeiros, técnicos e outros profissionais (totalizando mais de mil funcionários) e recebe reformas e equipamentos para ampliar serviços e reabrir aqueles que estavam fechados há anos. Também acolherá residentes da PUCRS. Esses residentes, da Faculdade de Medicina da PUC, uma entidade católica, terão treinamento e formação técnica em um hospital que é referência de aborto legal no Rio Grande do Sul.

A transferência do atendimento, que começou em abril, já abriu 16 leitos de pediatria, seis de psiquiatria e seis de UTI pediátrica. O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), médico Marcelo Matias, critica a “falta de transparência” ao longo do processo: “Quando analisamos esse tipo de decisão de um hospital que está em crise, a gente até entende que a instituição busca magnificar lucros ou minimizar perdas. Mas quando temos um hospital como o São Lucas, que é filantrópico, que é vinculado a uma universidade, faltou transparência e ética na forma como a comunicação foi feita. Alunos, funcionários e entidades de saúde estiveram de fora desse processo. Até hoje, não temos notícia do que vai acontecer com a residência em obstetrícia do hospital, ainda não se sabe para onde vão”. E Marcelo Matias ratifica: “A população será afetada. A gente precisa entender o tamanho dessa instituição. O impacto da mudança não é só aqui na cidade, é no Estado. Quando fecha dessa forma, o Estado inteiro sofre. Mesmo que eu entenda a questão financeira, posso afirmar sem qualquer risco de errar, que as pacientes vão ser prejudicadas no momento de seus partos. Mesmo que financeiramente a alteração tenha lógica, o ponto mais fraco, os funcionários, os alunos e a população, é afetado”.

Já a médica obstetra e diretora geral do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, Adriani Galão, diz que a população não ficará desassistida porque já há uma menor demanda por leitos obstétricos em Porto Alegre: “Leitos de UTI neonatais serão preservados, em meio ao desenvolvimento de tecnologias que permitem a sobrevivência de bebês cada vez mais prematuros. Em poucos meses, reformamos quatro andares para ampliar os leitos, algo que seria muito mais moroso, do ponto de vista administrativo. A população não fica desassistida. Ampliar um hospital, em tempos de covid, em 89%, é uma notícia fantástica. A gente está dobrando leitos de UTI neonatal, que são bastante valorosos em termos de saúde, porque estão sempre lotados, e ainda ampliando leitos psiquiátricos”.

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