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Inteligência da Polícia Federal liga hackers de Moro a fraudes de cartões de crédito e débito

O coordenador-geral de Inteligência da Polícia Federal, João Vianey Xavier Filho, afirmou nesta quarta-feira, 23, que os presos na Operação Spoofing por suspeita de hackear os celulares do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), do procurador Deltan Dallagnol (coordenador da Operação Lava Jato no Paraná), de delegados federais e juízes, estão ligados a estelionato bancário eletrônico. Cerca de mil pessoas podem ter tido suas contas no aplicativo Telegram invadidas. “O perfil dessas pessoas é relacionado a estelionato bancário eletrônico. Eles estão, em vários graus de envolvimento, de alguma forma ou outra, vinculados a fraudes bancárias eletrônicas praticadas mediante internet banking, de engenharia social com contato com possíveis vítimas e fraudes em cartões de crédito e débito”, afirmou João Vianey Xavier Filho.

A Polícia Federal prendeu Walter Delgatti Neto, o ‘Vermelho’, o casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suellen Priscila de Oliveira e também Danilo Cristiano Marques. A Federal investiga supostos patrocinadores do grupo. Walter Delgatti Neto, o “‘Vermelho” (na footo)’, confessou à Polícia Federal que hackeou Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e de centenas de procuradores, juízes e delegados federais, além de jornalistas. “Vermelho” acumula processos por estelionato, falsificação de documentos e furto.

Ao decretar a prisão temporária de quatro investigados, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, apontou para a incompatibilidade entre as movimentações financeiras e a renda mensal do casal em dois períodos de dois meses – abril a junho de 2018 e março a maio de 2019 – movimentou R$ 627 mil com renda mensal de R$ 5.058,00. Além de Moro, procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Paraná e outras autoridades teriam sido alvo de hackers – no mandado de buscas, há menção ao desembargador federal Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio de Janeiro, ao juiz Flávio Lucas, da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro e aos delegados federrais Rafael Fernandes, em São Paulo, e Flávio Vieitez Reis, em Campinas.

A Polícia Federal informou também na terça-feira que vai investigar a suspeita de invasão nos aparelhos celulares do ministro da Economia, Paulo Guedes, e da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP). Desde 9 de junho, o site The Intercept Brasil, controlado pelo conspirador Glen Greenwald, divulga supostas mensagens trocadas pelo então juiz federal titular da Lava Jato em Curitiba com integrantes do Ministério Público Federal, principalmente com Dallagnol.

Foram divulgadas pelo The Intercept e outros veículos conversas atribuídas ao ex-juiz e a procuradores no aplicativo Telegram. O site afirmou que recebeu de fonte anônima o material, mas não revelou a origem. Moro nega conluio – ele e Dallagnol afirmam não reconhecer a autenticidade das conversas. O ministro da Justiça já afirmou que a invasão virtual foi realizada por um grupo criminoso organizado. Para ele, o objetivo seria invalidar condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, interromper investigações em andamento ou “simplesmente atacar instituições”. Em 19 de junho, Moro passou oito horas e meia respondendo a questionamentos de senadores na Comissão de Constituição e Justiça da Casa sobre supostas mensagens que sugerem atuação conjunta com os procuradores quando ele era juiz.

O celular de Moro foi desativado em 4 de junho. O aparelho foi invadido por volta das 18 horas. Ele percebeu após receber três telefonemas do seu próprio número. O ex-juiz acionou então investigadores da Polícia Federal. O último acesso de Moro ao aparelho foi registrado no WhatsApp às 18h23 daquele dia. O hacker tentou se passar pelo ministro no Telegram.

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