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Lava Jato do Rio de Janeiro denunciou advogado Frederick Wassef por peculato e lavagem de dinheiro

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro denunciou o advgoado Frederick Wassef por peculato e lavagem de dinheiro no âmbito das investigações envolvendo a Fecomércio. Ele e a advogada Márcia Zampiron, mulher de Ivan Guimarães, são acusados de receber recursos desviados do Sistema S por meio do escritório da advogada Luiza Eluf, que firmou contrato de R$ 4,4 milhões com a entidade.

O caso faz parte da delação premiada de Orlando Diniz, que entregou esquema que teria desviado mais de R$ 151 milhões dos cofres do Sesc/Senac por meio de escritórios de advocacia. Também foi denunciado Marcelo Cazzo, responsável por intermediar o contrato. O advogado, conforme a denúnia, atuou em parceria com Ivan Guimarães na produção de dossiês.

Conforme o delator premiado Orlando Diniz, a contratação de Frederick Wassef, via Luiza Eluf, em 2016, se deu em um contexto em que escritórios de advocacia estavam preocupados com a fiscalização do Tribunal de Contas da União sobre contratos milionários que tinham com a Fecomércio do Rio de Janeiro. Em um trecho da denúncia apresentada na sexta-feira contra o advogado, a Lava Jato do Rio de Janeiro anexou trecho da delação de Orlando Diniz em que ele conta que a preocupação levou as bancas de advocacia a pedirem blindagem à OAB, para que a entidade atuasse junto ao Supremo para barrar a fiscalização do Tribunal de Contas da União.

Orlando Diniz contou que contratos sigilosos da Fecomércio com os escritórios começaram a ser vazados, o que despertou interesse dos advogados em investigar o responsável. Ainda em 2016, a revista Época noticiou a contratação de Eduardo Martins, filho do presidente do STJ.

“Existia um clima tenso entre os escritórios; Que foi feita uma reunião em Brasília coordenada por Marcelo Cazzo com vários escritórios para definir uma estratégia para que os contratos não viessem a tona; Que a partir dessa reunião, mas não em decorrência dela (porque havia muita gente e nada foi resolvido de fato) foi solicitada a atuação da OAB para ajudar nessa blindagem dos escritórios perante a mídia e o TCU; Que a partir daí é que a OAB ingressou no STF para blindar o acesso do TCU aos contratos, acreditando que essa interlocução com a OAB quem fez foi Cristiano Zanin”, contou Orlando Diniz na delação, citada na denúncia. Liminares de Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli impediram que o TCU analisasse os contratos da Fecomércio com os escritórios.

Uma das ações foi apresentada pela OAB do Rio de Janeiro, que pediu a Lewandowski para barrar a fiscalização do TCU até que a entidade pudesse participar do processo. Em 22 de agosto daquele ano, o ministro concedeu a liminar apontando “risco de lesão irreparável”.

No dia 31 de outubro daquele ano, Toffoli deu outra liminar à OAB do Rio de Janeiro, suspendendo um julgamento no TCU sobre os contratos que estava marcado para o dia seguinte. Disse que tratava-se de uma “medida de precaução”.

Em 20 de julho, o delator Orlando Diniz prestou um depoimento complementar à Lava Jato via videoconferência e deu mais detalhes relacionados ao anexo de sua delação sobre o advogado Eduardo Martins, filho do presidente do STJ, Humberto Martins. No vídeo, o ex-presidente da Fecomércio identifica como Diogo Gaia Duarte a pessoa que atuou como operador de Eduardo Martins, responsável por lhe repassar R$ 2 milhões em dinheiro vivo.

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