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Lavouras brasileiras tiveram acréscimo de 6% de agroquímicos no primeiro semestre

Puxada pelos cultivos de soja, milho e algodão, a área tratada com defensivos agrícolas cresceu 6% no primeiro semestre do ano no Brasil, para 643,2 milhões de hectares, informou o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) nesta quarta-feira. A receita das indústrias do setor, no entanto, ficou praticamente estável no semestre, em relação ao mesmo período de 2019, em 6,04 bilhões de dólares. O tratamento das áreas de soja aumentou 33% de janeiro a junho, seguido pelas lavouras de milho (+29%) e algodão (+18%), disse o sindicato.

“Soja, milho, algodão e cana, juntos, representam cerca de 80% do mercado de defensivos agrícolas no país”, disse em nota o presidente do sindicato, Julio Garcia. A estimativa de área tratada é muito maior do que o plantio efetivo no Brasil porque uma mesma fazenda recebeu aplicação de defensivos mais de uma vez. Julio Garcia ainda afirmou que a contenção de pragas, doenças e ervas daninhas é um desafio cada vez maior, exigindo a ação de soluções mais complexas e inovadoras para proteção das plantas. Quanto aos produtos, os inseticidas representaram 36% das aplicações, os fungicidas 33%, e os herbicidas 22%.

“No 1º semestre de 2020, as pragas estiveram mais agressivas do que nunca. A soja exigiu diferentes mecanismos de defesa para combater uma doença muito agressiva de difícil controle, a ferrugem asiática”, afirmou. Percevejos e ácaros foram os insetos que mais necessitaram de tratamentos e, no caso de ervas daninhas, capim amargoso e buva exigiram modos de ação diferenciados para combatê-los.

Em relação ao milho safrinha, foi preciso aumentar o uso de inseticidas para combater cigarrinhas e percevejos, enquanto manchas foliares e ferrugem demandaram mais aplicações de fungicidas. Quanto ao algodão, a doença mais agressiva continua sendo a ramulária, levando os agricultores também a usar mais fungicidas. O manejo de resistência também foi intensificado na primeira metade do ano.

Na perspectiva geográfica, Mato Grosso foi o Estado que mais demandou defensivos agrícolas no período, representando 28% do total, seguido por São Paulo (13%) e Matopiba (12%) – região formada pelo Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia.

No segundo trimestre do ano, o faturamento da indústria recuou 3,1%, atingindo 1,36 bilhão de dólares, e contribuindo para limitar o avanço do semestre. O Sindiveg explicou que a desvalorização cambial foi outro grande desafio para a indústria, que adquire insumos importados e ainda não conseguiu repassar integralmente o aumento desta variação integral ao mercado. A moeda norte-americana registrou seu pico em relação ao real no segundo trimestre, impulsionada pela pandemia do novo coronavírus, e chegou a ser negociada perto de 6 reais.

“Vale lembrar o importante papel das indústrias de defensivos agrícolas como financiadoras da produção agrícola brasileira. Nosso prazo de financiamento médio atingiu 240 dias, aumentando mais de 20%”, disse Júlio Garcia. “As empresas do setor agroquímico comprometeram-se e estão se esforçando muito para conseguir garantir recursos suficientes para financiamento do setor”, acrescentou. (Money Times)

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