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Livraria Cultura receberá R$ 31 milhões do Magazine Luiza

O Magazine Luiza concretizou na tarde desta quinta-feira, 30, a compra do e-commerce de livros Estante Virtual. A varejista fez a oferta pelo ativo da Livraria Cultura, que está em recuperação judicial, durante audiência na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O valor de avaliação do ativo foi de R$ 42,5 milhões, mas o Magazine Luiza descontou dívidas, o que representará em R$ 31 milhões líquidos para a rede de livrarias.

O negócio deve ser finalizado dentro de 5 a 10 dias. Com dívidas de R$ 285 milhões, a Livraria Cultura pediu recuperação judicial em outubro de 2018. A maior parte da dívida é com fornecedores e bancos. O plano de recuperação judicial foi aprovado e homologado em abril de 2019. Desde setembro do ano passado, a venda da Estante Virtual é negociada, após ter sido aprovada por credores.

Segundo a advogada Fabiana Solano, do escritório Felsberg & Associados, responsável pela recuperação judicial da Cultura, o dinheiro da venda deverá ser usado para capitalizar o negócio e para normalizar os estoques as lojas. Várias editoras têm se negado a fornecer livros à empresa caso não recebam pagamento à vista.

O setor de livrarias enfrenta um momento de reorganização. Enquanto gigantes como a varejista virtual Amazon e redes regionais, como a Leitura, ganham espaço, as duas principais forças do segmento vivem momentos difíceis. Tanto a Saraiva quanto a Cultura estão em recuperação judicial. A situação da Cultura, que tem um menor número de lojas, é especialmente difícil, segundo fontes do setor.

A compra da Estante Virtual, em dezembro de 2017, foi uma tentativa da Cultura de tentar diversificar seu portfólio em um momento em que já enfrentava crise. O acordo foi fechado graças à injeção de capital que a rede da família Herz recebeu ao “comprar” as lojas da francesa Fnac no Brasil. A Fnac injetou R$ 130 milhões na Cultura ao repassar suas unidades.

Em pouco tempo, porém, todas as lojas acabaram fechadas. A crise da Cultura é antiga e vem desde 2014. Depois de atingir R$ 440 milhões naquele ano, a empresa viu sua receita cair 17% nos últimos dois anos, atingindo R$ 380 milhões em 2016. Em 2017, passou a atrasar pagamentos a editoras, mesmo de livros em consignação. No ano seguinte, entrou na recuperação judicial que enfrenta até hoje.

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