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Marcopolo cria um ônibus especial para a época de coronavirus

A fabricante de carrocerias para ônibus Marcopolo criou modelos com maior espaçamento entre as poltronas e uma série de itens para evitar contaminação viral, demanda que considera que será permanente após a pandemia do coronavírus. Projetados principalmente para operadoras de viagens intermunicipais ou interestaduais ou para uso corporativo interno, os novos ônibus têm capacidade reduzida de passageiros. Em vez do modelo tradicional de 46 lugares, com pares de duas poltronas separados por um corredor, os carros podem ter duas filas de poltronas únicas, reduzindo a capacidade à metade. Outro modelo, para 34 passageiros, têm três fileiras, também de poltronas individuais, separadas por dois corredores.

Além do espaço ampliado, os ônibus têm a parte interna revestida com material antimicrobiano, nas poltronas, tapetes e área sanitária, cortinas isolando as poltronas, dispensador de álcool gel e a aplicação de uma névoa seca desinfetante, que pode ser aplicada em intervalos de 24 a 72 horas.

Segundo o presidente-executivo da Marcopolo, James Bellini, essas mudanças foram desenvolvidas em parte como resposta a pedidos dos próprios clientes, que perceberam a preocupação crescente das pessoas em voltarem a usar transportes coletivos diante da pandemia do coronavírus de alto contágio, que já matou quase 440 mil pessoas no mundo todo. “Dificilmente as pessoas vão querer voltar ao que era antes”, afirmou ele.

Segundo o executivo, o custo extra de um veículo com essas características em relação aos dos tradicionais não é significativo, já que os itens adicionais são compensados em parte pelo menor número de poltronas. Bellini admite que a viabilidade comercial da operação desses veículos pode ser uma questão, mas que, diante do apelo por maiores itens de segurança após a pandemia, as pessoas poderiam se dispor a pagar um pouco mais pelas passagens se puderem se sentir mais seguras.

Uma das maiores fabricantes de carrocerias do mundo, a Marcopolo, com sede em Caixas do Sul (RS) e com unidades na Ásia e na África, reduziu à metade sua capacidade de produção desde março, quando a pandemia eclodiu pelo mundo. No ano passado, a empresa produziu cerca de 23 mil veículos. Agora, com pesquisas mostrando em várias partes do mundo que as pessoas estão menos dispostas a usar transporte coletivo por medo de se infectarem com o coronavírus, as empresas do setor terão que se reinventar, disse Bellini.

O executivo disse que a Marcopolo também está desenvolvendo soluções para ônibus usados no transporte urbano, que devem ser lançadas nos próximos meses. Segundo Bellini, para serem mais eficazes, as inovações demandarão medidas de governos municipais que levem a limites menores de lotação dos veículos. (Money Times)

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