BrasilJustiçaTodos

Ministério Público Federal quer acesso à delação de Sérgio Cabral homologada no Supremo

O Ministério Público Federal quer ter acesso à delação premiada feita pelo ex-governador Sérgio Cabral à Polícia Federal e homologada, com sigilo, pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. O pedido foi feito nesta quarta-feira (19), pelo procurador Almir Sanches, ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, que cuida dos casos da Operação Lava Jato no Estado.

“É interesse das defesas dos demais réus, porque a própria jurisprudência do STF entende que se um réu é colaborador, ele tem que ser ouvido anteriormente. A defesa de Sérgio Cabral trouxe a informação de que haveria um acordo firmado com a Polícia Federal, celebrado junto ao Supremo Tribunal Federal, no entanto não conhecemos os detalhes da homologação desse acordo. Especialmente, qual os efeitos que ele vai ter nas ações previamente ajuizadas”, disse o procurador.

Sanches peticionou diretamente a Bretas, durante audiência em que foram ouvidas testemunhas de acusação ao ex-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz. Bretas aceitou o pedido e peticionou ao Supremo para ter conhecimento da delação de Sérgio Cabral. A defesa do ex-governador, que estava presente à audiência, se negou a dar detalhes do acordo, dizendo que ele é sigiloso.

Embora ainda não tenha acesso ao conteúdo da delação de Sérgio Cabral, o juiz já o trata como réu colaborador e na última audiência concedeu prerrogativas ao ex-governador, como ficar sentado de costas para a câmera que grava a sessão, privilégio só concedido aos delatores da Lava Jato. As testemunhas de acusação confirmaram as informações, prestadas anteriormente, de que Orlando Diniz empregou na Fecomércio-RJ pessoas ligadas a Sérgio Cabral, que não precisavam sequer ir ao trabalho, muitas atuando como verdadeiros funcionários fantasmas, ou então trabalhando diretamente para o ex-governador, como secretária ou chef de cozinha, mas recebendo pela Fecomércio-RJ.

Orlando Diniz foi preso em fevereiro de 2018 na Operação Jabuti, que investigou desvios de dinheiro e a contratação de fantasmas na entidade, mas foi solto em junho do mesmo ano, pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Compartilhe nas redes sociais:

Comment here