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Moody’s vê Brasil saindo mais rápido da crise devido a menor custo de juros da dívida

Grandes mercados emergentes cujo crescimento da economia depende menos da demanda global, como o Brasil, podem ter performance melhor na retomada uma vez que a crise sanitária arrefecer, com implicações positivas para os resultados fiscais mediante uma política econômica favorável, avaliou a agência de classificação de risco Moody’s em relatório com data desta quinta-feira.

A agência projeta declínio de 6,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano, conforme previsão do fim de junho. Ainda de acordo com a Moody’s, o Brasil verá queda na proporção dos juros da dívida em relação às receitas em 2020, sendo um dos poucos países nessa lista, que conta ainda com Argentina.

Em janeiro deste ano – portanto, antes da pandemia de Covid-19 –, o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a dizer que o País havia reduzido em 100 bilhões de reais o serviço da dívida de 2019 para 2020.

No relatório desta quinta-feira, a Moody’s lembrou que as taxas de juros no Brasil vêm caindo nos últimos anos. O Banco Central iniciou processo de afrouxamento monetário em outubro de 2016, quando a Selic estava em 14,25% ao ano. O juro básico caiu a 6,50% em março de 2018 e ficou nesse patamar até o fim de julho de 2019, quando foi reduzido a 6%.

Desde então, o Copom cortou a Selic em todas as reuniões, derrubando a taxa a sucessivas mínimas recordes. A Selic está em 2,25% ao ano e, no mercado, há apostas de nova redução para 2,00% na próxima semana.

Na última terça-feira, a Moody’s sinalizou preocupação com a possibilidade de flexibilização do teto de gastos no Brasil, alertando que uma eventual elevação desse teto sem medidas de compensação seria “evento negativo” do ponto de vista do rating soberano.

Atualmente, Moody’s atribui perspectiva “estável” ao rating de crédito soberano “Ba2” para o Brasil, abaixo da classificação de grau de investimento. No documento desta quinta-feira, que trata de implicações a ratings soberanos decorrentes da pandemia de Covid-19, a Moody’s disse que, para mercados emergentes, os efeitos de aumento de dívida sobre notas de crédito são mais variados e exigirão maior diferenciação.

“A dependência de um ou dois setores entre os mais atingidos provavelmente deixará um impacto mais duradouro em algumas economias e finanças de governos de países emergentes”, afirmou a agência.

A Moody’s avaliou que mercados que dependem mais do turismo ou das exportações de hidrocarbonetos provavelmente vão experimentar período mais prolongado de crescimento econômico moderado, em razão da probabilidade de os segmentos mencionados se recuperarem a ritmo mais lento, tendo como base mudanças de consumo advindas da pandemia do coronavírus. (Money Times)

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