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Morre em acidente de carro ex-deputado federal e ex-terrorista Alfredo Sirkis, da VPR de Carlos Lamarca

Morreu nesta sexta-feira (10), em um acidente, de trânsito, o ex-deputado federal Alfredo Sirkis. O carro que ele dirigia saiu da pista, colidiu contra um poste e capotou na BR 493, no Arco Metropolitano, em Nova Iguaçu. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o acidente ocorreu por volta das 14h20. Sirkis era jornalista, tinha 69 anos e se notabilizou na luta pelo meio ambiente. Foi deputado federal pelo Rio de Janeiro entre 2011 e 2014. Era diretor executivo do Centro Brasil no Clima (CBC) e foi coordenador do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima de 2016 e 2019. Na Câmara Federal, presidiu a Comissão Mista de Mudança do Clima do Congresso Nacional e foi um dos vice-presidentes da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

Antes disso, foi vereador em quatro mandatos no Rio de Janeiro, secretário municipal de Urbanismo e secretário municipal de Meio Ambiente, entre 1993 e 1996, na cidade do Rio de Janeiro. Foi membro da delegação brasileira às conferências do Clima de Montreal, Bali, Copenhagen, Durban, Varsóvia, Lima, Paris, Marrakech e Bonn. Integrou as comissões executivas do International Council for Local Environmental Initiatives e do Metrópolis. Foi um dos fundadores do Partido Verde e um dos líderes do movimento ecológico no Brasil.

Como jornalista e escritor, foi autor de nove livros, incluindo “Os Carbonários”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1981. Sirkis iniciou seu trabalho no jornalismo em 1973, em Paris, onde estava exilado, no jornal esquerdista “Libération”, dirigido pelo escritor comunista maoísta Jean-Paul Sartre. Sirkis era conhecido pelo bom trânsito com políticos dos mais variados espectros, sempre aberto ao diálogo, mas sem deixar suas convicções de lado, principalmente a luta pelo meio ambiente.

Em 1969, Sirkis se tornou um terrorista, ingressando na Vanguarda Popular Revolucionário, grupo terrorista comandado pelo ex-capitão Carlos Lamarca. As ações do grupo terrorista incluíram desde assaltos a bancos e lojas comerciais para angariar fundos até ataques a instalações militares para obter armas, porém destacaram-se os sequestros de diplomatas estrangeiros para conseguir a libertação de companheiros presos.

Em junho de 1970, o grupo sequestrou o embaixador da Alemanha Ocidental, Ehrenfried von Holleben. Durante a ação, foi morto um dos guardas-costas do embaixador. Alfredo Sirkis participou do levantamento da rotina do embaixador, do planejamento da operação e do transbordo do sequestrado para um segundo carro que o levou ao cativeiro. Como sabia falar bem inglês, tornou-se o intérprete do embaixador enquanto este ficou no cativeiro. O embaixador alemão foi libertado depois de cinco dias de sequestro em troca da libertação da soltura de 40 presos políticos, entre os quais Carlos Minc e Fernando Gabeira (este estava preso pelo sequestro do embaixador americano Charles Ellbrick), que foram enviados para o exílio na Argélia.

Alguns meses depois, em dezembro de 1970, o grupo sequestrou o embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Para obter veículos a serem usados no sequestro, Sirkis e outros militantes assaltaram um estacionamento, obtendo três carros. Um agente da Polícia Federal, que servia como segurança do embaixador, foi morto durante o sequestro. Alfredo Sirkis não participou diretamente dessa parte da operação, mas atuou como motorista de um dos carros roubados que buscaram os militantes depois da execução do sequestro e foi um dos que vigiaram o embaixador suíço durante o cativeiro.

O preço pedido pela libertação do embaixador suíço foi a libertação de 70 presos políticos, a divulgação de um manifesto através dos meios de comunicação e o transporte gratuito durante um dia de passageiros nos trens da região metropolitana do Rio de Janeiro. O governo militar concordou apenas com a soltura dos presos.

Com esta recusa, os terroristas decidiram, por votação, que o embaixador suíço sequestrado deveria ser executado; apenas Sirkis e José Roberto Gonçalves de Rezende votaram contra. No final,o terrorista Carlos Lamarca, como chefe e aplicando as regras do estatuto do grupo, decidiu contra a maioria e aceitou a lista de 70 terroristas soltos proposta pelos militares brasileiros. Os 70 foram libertados e enviados para o Chile. Sirkis foi um dos encarregados de levar, de carro, o embaixador suíço até o local onde seria libertado.

O ex-terrorista Alfredo Sirkis relatou esta fase de sua vida no livro autobiográfico “Os carbonários”. A minissérie brasileira de televisão Anos Rebeldes, exibida pela Rede Globo em 1992, foi inspirada, em parte, nessa obra. Esse livro é uma grande porcaria, tremendamente mal escrito, de cabo a rabo. E tem mais um detalhe: não há um pingo de autocrítica nele ao tremendo erro da esquerda em aderir ao movimento armado contra o regime militar, coisa que apenas um terrorista fez, em um livro muito mais bem acabado, o “O que é isso, companheiro?”. Os ex-terroristas sempre exaltaram o seu passado de banditismo político, como fez o criminoso mensaleiro José Dirceu em seu discurso de saudação à posse da antiga terrorista Dilma Rousseff. Alfredo Sirkis também foi um tremendo adepto das drogas. Antes de ingressar no movimento ambientalista, ele tentou repetir a jogada trotskista do “entrismo” no PDT de Leonel Brizola. Tentou tomar conta da secção paulista do partido, de onde foi prontamente rechaçado.

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