AgronegócioMundoTodos

Mudanças tributárias podem tirar até US$ 17 por tonelada da soja exportada pelo produtor do Paraguai e reduzir sua competitividade

Algumas mudanças tributárias para a exportação de soja do Paraguai podem comprometer e reduzir a competitividade do país no comércio mundial. A partir de 1º de janeiro, o governo paraguaio não vai mais devolver parte do chamando IVA (Imposto de Valor Agregado) pago pelo produtor. “O imposto em si não vai mudar do que já vinha sendo aplicado – que é uma taxa de 5% e que entra na contabilidade – a diferença é que metade desse imposto, 2,5%, era devolvido aos agroexportadores e agora não terão mais. E isso estará embutido, escondido no custo, o chamado prêmio (no Paraguai)”, explica o produtor rural da região de Ypehú, Neivo Fritzen.

Pago diretamente pelo produtor rural, esse “custo maior” deverá ser de algo entre US$ 7,00 e US$ 8,00 por tonelada de soja. A possibilidade de uma tarifação por parte da Argentina sobre toda a soja paraguaia que transite pelo país também é motivo de preocupação por parte dos produtores.

A taxa seria de 3%. “Para fazer uma conta rápida, uma soja de US$ 300,00 por tonelada teria mais US$ 9,00 de custo para o produtor. Não vai ter outro na cadeia que vá absorver esse custo”, explica Fritzen. Segundo o produtor, a justificativa da Argentina é diferenciar as ofertas argentina e paraguaia.

Em questão estão as barcaças que seguem pelo rio Paraguai para levar a soja dos portos de Assunção, principalmente, até Rosário, na Argentina, e uma parte até Palmira, no Uruguai. Assim, o objetivo do setor agora é pedir ao governo a exoneração deste tributo, junto de entidades de classe, como a APS (Associación dos Productores de Soja). Outra alternativa seria escoar a soja pelo Braisl, ainda como explica Fritzen, para algumas empresas um pouco mais próximas, outras um pouco mais distantes.

“Mas existem muitos entraves. O primeiro é o fluxo da BR-277, que já está muito congestionado, pedágios e as dificuldades de fronteira. Hoje tem quase mil caminhões no Paraguai esperando para entrar no Brasil há cerca de 10 dias e não conseguem porque o sistema não funciona, fiscais não trabalham, às vezes estão em greve. E a fronteira com o Mato Grosso do Sul também é um grande problema”. explica o produtor do Paraguai.

Ainda como relata Neivo Fritzen, essa alta dos preços observada na Bolsa de Chicago acabou sendo neutralizada por esse aumento nos custos. E esse aumento é o que reduz e compromete, portanto, a competitividade da soja paraguaia no mercado internacional.

Mais do que isso, o agricultor explica que em áreas próprias, o produtor do Paraguai ainda consegue garantir alguma margem de lucro, mas em terras arrendadas já não há essa perspectiva. “Fica como eu já disse no ano passado, uma soja com US$ 300,00 por tonelada e produtividade de 3 mil quilos por hectare não tem lucro em terra arrendada”, explica. Assim, o ritmo dos negócios com a soja no Paraguai se mostra mais lento agora, diante de tantas incertezas.

Compartilhe nas redes sociais:

Comment here