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Operação contra pedofilia prende professor de história da sofisticada Saint Nicholas School, em São Paulo

A Operação Luz na Infância 6, deflagrada nesta terça-feira contra uma rede de pedofilia e pornografia infantil, prendeu dez pessoas em flagrante, em São Paulo. A ação do Ministério da Justiça, realizada em doze Estados, deteve ao todo 38 suspeitos e foi realizada em conjunto com outras semelhantes executadas nos Estados Unidos, Colômbia, Paraguai e Panamá.

Um dos presos é professor de história de uma unidade da escola paulistana Saint Nicholas School, colégio bilíngue com alunos de classe média alta, localizado no bairro de Pinheiros. A direção da escola divulgou um comunicado para dizer que foi surpreendida pela operação, que já se colocou à disposição das autoridades e que abriu uma sindicância interna, “para apurar informações complementares”. “Nós estamos em choque”, diz a nota. Isto tipo de agressão sexual contra crianças e adolescentes está se tornando comum no Brasil. Já aconteceu com aluna do Colégio Província de São Pedro, em Porto Alegre, onde uma menina era estrupada no estacionamento da Unisinos, nas imediações, por professor de ginástica sobrinho da diretora e proprietária do colégio. O professor já foi condenado e cumpre pena na Penitenciária de Canoas.

O nome do professor de história do Saint Nicholas School é Ivan Secco, de 54 anos. Ele é acusado de produzir e armazenar pornografia infantil, tendo captado imagens das genitálias de meninas menores de idade em sala de aula, vestindo a saia do uniforme escolar, por meio de câmeras camufladas em caixas de remédios com pequenos furos. O professor de história e de teatro Ivan Secco foi autuado em flagrante em sua casa. Ele leciona há 20 anos. A polícia ainda investiga se há indícios de outros crimes, como compartilhamento de pornografia infantil ou estupro de vulnerável. “Essas câmeras ela colocava embaixo da carteira, se alguém olha é uma caixa de medicamento, no chão, e ele faz com que elas passem, elas se abaixavam achando que era algum tipo de exercício corporal pra se soltar no teatro”, diz Ivalda Oliveira Aleixo, delegada da Divisão de Capturas. “Ele simulava uma peça de teatro pra pegar a melhor posição com as caixinhas de remédio que ele espalhava por ali”, completa o delegado do Departamento de Operações Policiais Estratégicas, Osvaldo Nico Gonçalves.

Os vídeos e fotos eram armazenados em um notebook, HDs externos, pen drives e na câmera utilizada para as filmagens ao longo de três anos. Preso em casa, Ivan Secco informou que as gravações foram feitas no colégio e indicou a sala de aula onde lecionava, onde foi encontrada uma parte do material usado para a produção e armazenamento das imagens. Segundo a polícia, os diretores do colégio acompanharam a busca na sala de aula, de uso exclusivo do professor detido. De acordo com a a delegada que cumpriu o mandado de busca e apreensão na casa do professor, ele chegou a pegar uma tesoura quando viu a polícia. Ele confessou que era doente e que tinha muito material na escola.

Em grupos de WhatsApp de pais de alunos circula um comunicado no qual a escola afirma ter sido “surpreendida por uma operação policial de investigação de pedofilia que prendeu um professor da unidade de Pinheiros”. O comunicado aos pais diz ainda que o colégio se colocou “à disposição das autoridades para colaborar amplamente com as investigações” e que “foi aberta uma sindicância interna para apurar informações complementares”. “Com relação à comunidade de alunos, a escola já conversou com professores e crianças e nossas portas estão abertas aos pais para conversarmos com quem desejar. Nós estamos em choque e nos comprometemos a entender o que aconteceu e oferecemos apoio incondicional a toda a comunidade”, afirma a Saint Nicholas School.

Até as 11h30, último balanço divulgado pela operação, 38 suspeitos haviam sido presos em flagrante e 187 mil arquivos foram levados para análise. A força-tarefa, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, busca materiais com conteúdo relacionado ao crime de exploração sexual praticado contra menores de idade. Ao todo, 579 agentes foram às ruas para a execução desta operação.

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