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Paulo Guedes diz que dólar vai cair quando o Brasil conseguir atrair novamente investidores internacionais

A capacidade da economia brasileira em reverter as quedas históricas em sinais de retomada surpreendeu os analistas do mercado. Em outubro, a Confederação Nacional da Industria (CNI) informou que esperava alta de 9% no PIB do terceiro trimestre, e revisou o resultado do ano para queda de 4,2%. O bom humor foi acompanhado por outras entidades.

A XP Investimentos, que já chegou a estimar tombo de 6% na soma das riquezas produzidas pelo País em 2020, alterou a previsão de baixa para 4,6%. Segundo Lisandra Barbero, economista do grupo, os resultados dos últimos indicadores reforçam a tendência de uma queda mais suave que a esperada para 2020, e geram um princípio de otimismo ao próximo ano, caso haja um imunizante eficiente e largamente distribuído. “Para os serviços será positivo, já que as pessoas ficarão mais confortáveis para sair de casa. A indústria ainda aproveitará os juros baixos e os estímulos deste ano, enquanto o comércio aproveitará a espécie de poupança que as pessoas que não receberam o auxílio fizeram ao longo deste ano”, elenca.

Se os números em azul registrados em setembro criam euforia de recuperação, a diminuição do ritmo na comparação aos outros meses trazem os ânimos de volta à realidade do tamanho do desafio para a economia. Após uma série de números negativos, o varejo engatou alta de 12,7% em maio, 8,8% em junho, 4,7% em julho, 3,1% em agosto, e chegou em setembro com alta de 0,6%. O setor de serviços acompanha linha semelhante: alta de 5,2% em junho, 2,6% em julho, 2,19% em agosto e 1,8% em setembro. O IBC-Br é mais volátil, mas, após recuar 9,7% em abril, chegou ao pico de 4,9% em maio, até desacelerar para 1,3% em setembro, maior, porém, do que o 1,1% de agosto. A perda de gás na recuperação é agravada pelo aumento do desemprego no próximo ano, acima do atual recorde de 14,4%, além do risco de disparada da inflação e fim dos programas de estímulo patrocinados pelo governo federal.

A desaceleração do ritmo de crescimento do comércio pode ser explicada pela mudança de foco da população, que comprou mais bens durante a pandemia e começou a gastar mais com serviços após o relaxamento das medidas de isolamento social. Mesmo assim, os outros fatores acendem alerta para o próximo ano. “O crescimento de setembro mostra que já há uma desaceleração, e isso vai refletir em número também menor para o quarto trimestre do ano. E um cenário sem auxílio, maior desemprego e incertezas nas políticas fiscais pode limitar o crescimento para 2021”, afirma Marcela, da Claritas.

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