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Pesquisas erraram por mais de 10 pontos em 1 de cada 4 Estados dos EUA

A diferença entre o resultado parcial e as pesquisas eleitorais norte-americanas está maior que 10 pontos percentuais em 1 de cada 4 dos Estados norte-americanos. Até a manhã desta 2ª feira (9), foram apurados mais de 146 milhões de votos, o equivalente a cerca de 91% do total esperado para votação nos Estados Unidos. É o mais gigantesco fracasso dos denominados institutos de pesquisa. A margem é tão grande que isso não pode mais ser considerado erro, mas uma gigantesca conspiração para derrotar o presidente republicano Donald Trump.

Os dados mais recentes de apuração apontam que em 12 Estados houve diferença acima de 10 pontos percentuais em relação à distância entre os candidatos republicano e democrata prevista pelos levantamentos e a distância real entre eles nas urnas. Para o dado sobre os levantamentos foi considerada a última média das pesquisas de intenções de voto, compiladas pelo site FiveThirtyEight.

A maior disparidade é registrada no Alasca (21 p.p.). Lá, a média das pesquisas indicava Trump com 51,2% e Biden com 43,6%. Uma distância, portanto, de 7,6 pontos percentuais. O que as urnas indicaram, no entanto, foi: Trump com 62,1% dos votos e Biden com 33,5% dos votos. A distância real foi de 28,6 pontos, 21 pontos acima do previsto pelas pesquisas.

Nova York (diferença de 16,7 p.p. na distância calculada pelas pesquisas e as urnas) e Dakota do Norte (16,3 p.p.) seguem na lista dos Estados com maior disparidade. As pesquisas não apontaram o 1º colocado corretamente na Flórida e na Carolina do Norte. Biden aparecia na frente nos 2 Estados, mas Trump venceu no 1º e lidera, com grandes chances de vitória, no 2º.

A eleição presidencial nos EUA é indireta. Os norte-americanos escolhem delegados em cada 1 dos 50 Estados que depois formam 1 Colégio Eleitoral para nomear o ocupante da Casa Branca. Por essa razão, nem sempre quem tem mais votos populares é eleito. O Colégio Eleitoral tem 538 delegados e, para ser escolhido presidente, é necessário ter ao menos 270 dos votos.

Estudos estatísticos de opinião nos Estados Unidos enfrentam mais obstáculos do que no Brasil. Em 2016 e agora em 2020, houve muita diferença entre o que diziam os estudos na véspera das eleições presidenciais e o resultado real das urnas. Nos Estados Unidos, as empresas de pesquisas há muito desistiram de fazer perguntas pessoalmente. Como lá o telefone fixo se tornou universal há décadas, esse equipamento servia muito bem para fazer levantamentos estatísticos.

Mesmo com a decadência das linhas fixas e a chegada dos celulares, as coisas funcionaram bem por algum tempo. Agora, não mais. Nos Estados Unidos, há regras diferentes em cada 1 dos 50 Estados sobre como e quando é permitido ligar para alguém e fazer uma pesquisa telefônica. Há locais em que isso é simplesmente proibido por meio de telefones celulares. Em outros, só se pode ligar para usuários que aceitam proativamente esse tipo de chamada. Obviamente que o resultado fica deformado.

Nos últimos anos, com as limitações de ligações para celulares, as empresas nos Estados Unidos começaram a fazer pesquisas pela internet, por meio de painéis de pessoas que aceitam responder aos questionários. Em alguns casos, os entrevistados são pagos para participar. Como se pode perceber nesta eleição (algo já detectado em 2016), esse método ainda precisa ser aperfeiçoado. (Poder 360)

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