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Petróleo fecha a menos de US$ 30,00 o barril diante da diminuição dos transportes

As declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre a possibilidade de mais restrições de viagens aos Estados Unidos, desta vez das vindas do Canadá e México, era o que faltava para o preço do petróleo despencar de vez da barreira de US$ 30 o barril, fechando a terça-feira cotado a US$ 26,95 o tipo WTI e US$ 28,75 o tipo Brent, o que não se via desde janeiro de 2016.

Para analistas, somente a recuperação da economia, principalmente da China, trará a commodity novamente para um patamar mais sustentável, ou, quem sabe, a volta das negociações entre a Rússia e a Arábia Saudita para um novo corte de produção. Nos dois casos, a expectativa da elevação de preços não envolve o curto prazo.

A queda do preço do petróleo começou na virada do ano, em meio a tensões entre os Estados Unidos e Irã, que fez o petróleo sair do patamar dos US$ 70,00 o barril. Em seguida, o surgimento do coronavírus na China e seu alastramento para o resto do mundo impactou fortemente a demanda.

Um novo corte de produção para manter o preço diante da previsível queda da demanda foi proposto pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), liderado pela Arábia Saudita, à Rússia, que já estava no seu limite de redução e acabou sendo descartado, o que pressionou a oferta.

“A expectativa de reduzir ainda mais o fluxo aéreo dentro dos Estados Unidos, que já está com o fluxo bem reduzido, com algumas cidades como Nova York e São Francisco em estado de emergência, fez a queda da demanda tomar uma escala ainda maior”, avalia Ilan Arbetman, o analista da Ativa Investimentos.

Ele lembra que o mundo já está na terceira semana à espera de um entendimento entre a Opep e a Rússia, ainda indefinido, já que a melhora por meio de um aumento da demanda parece ainda mais distante, com o avanço do coronavírus em todos os mercados. Para ele, se o petróleo não retornar no médio prazo para o patamar dos US$ 40,00 o barril, o setor vai começar a sofrer como um todo e em breve as petroleiras vão ter que reduzir postos de trabalho e cortar investimentos.

A queda abaixo de US$ 30,00 no entanto deve forçar a mais uma redução de preços pela Petrobras, prevê Arbetman. Na semana passada a estatal cortou o preço da gasolina em 9,5% e do diesel em 6,5%. De acordo com Walter de Vitto, analista da Tendências, o preço do petróleo está condizente com o quadro de demanda que vem pela frente. “As notícias estão cada vez mais negativas em relação ao fluxo de pessoas no mundo e afeta diretamente os combustíveis. Gasolina, diesel e QAV (aviação) são responsáveis por 60% da demanda mundial de petróleo”, informa o analista.

Ele vê espaço ainda maior para a queda de preço da commodity, que ainda será afetada pelo fim do inverno no hemisfério norte. “Geralmente nessa época o consumo já cai pelo fim do uso da calefação, mas normalmente entra o fluxo de viagens do verão, o que não vai acontecer este ano. Onde chega o coronavírus a queda de demanda é grotesca”, explica. Thadeu Silva, da INTL FCStone, também vê espaço para nova queda do preço do petróleo, e a única saída é aguardar o retrocesso do coronavírus ou a negociação sobre novas cotas de petróleo entre a Rússia e Opep.

Ele não vê, porém, a cotação da commodity se sustentando abaixo de US$ 30,00 o barril no médio prazo. “Esse preço não remunera a produção em nenhum lugar do mundo, petróleo é atividade de risco. A oferta (de petróleo) não aguenta esse nível de preço”, afirma. Para ele, no próximo mês ou nas próximas semanas ainda serão observadas mais quedas: “Mas acredito que no médio prazo vai ter forte retomada desse nível”.Uma das possibilidades, avalia, é a saída do mercado dos produtores de shale gas (xisto) norte-americanos, que não vão suportar a queda de preços e com isso reduzir a oferta, abrindo espaço para a recuperação.

Essa é a mMesma opinião de Pedro Galdi, especialista da Mirae Asset. “Não acredito que seja um evento que dure muito tempo, pois não é bom para ninguém. Aos níveis atuais muito produtor está tendo prejuízo por ter custo alto de produção e inviabiliza a indústria do xisto nos Estados Unidos”, diz Pedro Galdi. (OESP)

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