Meio Ambiente

Policia alagoana flagra caminhões com chorume de aterro da Estre Ambiental SA sendo lançado em canavial

Três caminhões-tanque bitrem foram apreendidos na manhã da última quinta-feira (25), após o descarte irregular de chorume produzido pelo aterro sanitário de Maceió, operado pela empresa megalixeira fraudadora Estre Ambiental SA. Ela tem suas ações na Nasdaq, bolsa de valores americana de Nova York. Mas estas informações não são passadas para seus acionistas nos Estados Unidos. Algumas pessoas foram presas em flagrante e levadas para a sede da Divisão Especial de Investigação e Capturas na capital alagoana. “A gente vinha acompanhando essa situação há algum tempo. Durante a madrugada, as equipes flagraram os caminhões encostando em um canavial e fizeram o descarte do chorume de forma ilegal”, disse Cayo Rodrigues, coordenador da operação, da Divisão Especial de Investigação e Capturas.

Na nota fiscal que acompanhava o motorista de um dos caminhões, o chorume estava destinado para o Estado de Pernambuco. Os responsáveis pelos caminhões foram detidos e, agora, a polícia investiga a participação da Estre Ambiental SA no crime cometido. “O que temos, até o momento, é que os motoristas estavam fazendo o descarte irregular. Se é individual ou da empresa, estamos investigando. Mas, se tiver a participação, a empresa será responsabilizada, com procedimentos ambiental e administrativo, com penalidades”, informou o delegado.

É muito difícil que a fraudadora Estre Ambiental SA seja punida. Afinal, seu ex-sócio proprietário, e ainda um dos principais acionistas, é o megalixeiro Wilson Quintella Filho, que já esteve preso uma temporada em Curitiba e é réu em processo de corrupção por pagamento de propina na Operação Lava Jato. A sua família, os Quintella, pertence à aristrocracia alagoana e é muito próxima do senado emedebista Renan Calheiros.

Ele pagava propina para Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. E este pagava propina para os principais caciques do MDB no Senado Federal. Os veículos foram recolhidos pela operação policial e estão sendo periciados. Ainda segundo informações do delegado, o chorume, que deveria ser reaproveitado no aterro sanitário, foi jogado em um canavial próximo ao aeroporto, na parte alta de Maceió.

A fraudadora Estre Ambiental, responsável pela operação da Central de Tratamento de Resíduos de Maceió (CTR Maceió) disse que segue rigorosamente todos os procedimentos de segurança e normas ambientais para o tratamento de resíduos. “Do volume de chorume gerado, metade é tratado dentro do próprio aterro e, outra parte, enviada para tratamento externo, ambos devidamente licenciados pelos órgãos ambientais competentes”, diz um trecho da nota.

Qualquer pessoa que conheça minimamente as artimanhas do setor de lixo no Brasil sabe que é movido a corrupção, pagamentos de propinas, de vereador a presidente da República, e fraudes sucessivas. É sabido que muitas empresas lixeiras que operam aterros sanitários costumam fretar navios, encher seus tanques com chorume (altamente contaminante e perigoso) e determinar o seu lançamento em alto mar, na costa brasileira.

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