Polícia

Polícia do governo petista da Bahia elimina capitão Adriano da Nóbrega, chefe de milícia do Rio de Janeiro

O ex-policial militar Adriano da Nóbrega, do famigerado Bope, morto pela Polícia Militar do governo petista da Bahia, na manhã deste domingo, na zona rural de Esplanada, estava escondido no sítio de um vereador. Filiado ao PSL, Gilsinho da Dedé disse ter ficado surpreso com o ocorrido e negou qualquer ligação com Adriano: “Nunca nem vi esse homem. Tudo o que sei estou sabendo através da mídia”, enfatizou. Ele afirmou não saber como o miliciano foi parar na propriedade e sugeriu que ela foi invadida.

“Hoje de manhã, recebi ligação do meu vizinho, dizendo que estava havendo uma troca de tiros no sítio. Logo depois, entrei em contato com o delegado da cidade e solicitei esclarecimentos. Ele me disse que não tinha conhecimento porque era uma operação da polícia especializada, via Secretaria de Segurança Pública da Bahia”.

Gilsinho afirmou também que sua propriedade, distante da sede cerca de 7 km, “vive vazia”, não tem caseiro e é cercada por arames. Um vizinho do vereador, cuja propriedade fica a uma distância de 100 metros da de Gilsinho, contou que não percebeu movimentação atípica no local na última semana, um indicativo de que o miliciano pode ter chegado ao sítio durante a madrugada.

De acordo com ele, a troca de tiros que matou Adriano foi rápida, de cerca de cinco minutos. O homem, que não quis se identificar, relatou que policiais militares envolvidos na operação chegaram a ir até a sua casa. Os agentes disseram que se tratava de uma ocorrência relacionada a roubo de banco e quiseram conferir se o criminoso havia feito reféns. “Dois policiais militares armados vieram aqui no meu quintal. Perguntaram se havia alguém aqui em casa, se tinha refém. Nós dissemos que não. Eles aconselharam que a gente fosse pra dentro de casa e fechasse a porta”, afirmou o vizinho, que disse ter se trancado com a esposa no imóvel para se proteger do tiroteio.

Ele disse também não ter visto o momento em que o corpo de Adriano foi removido do sítio. Tudo parece indicar uma operação de eliminação pura e simples, uma queima de arquivo, como se diz no jargão policial. No esconderijo, a polícia baiana diz que apreendeu uma pistola, um revólver e duas espingardas. Além do armamento, teria encontrado 13 celulares.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do governo petista da Bahia, guarnições do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Litoral Norte, do Grupamento Aéreo (Graer) e da Superintendência de Inteligência (SI) da pasta encerraram as varreduras no início da tarde deste domingo.

Os materiais foram encontrados em diferentes cômodos da casa. O caso foi registrado no Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) da Bahia. Ainda de acordo com a secretaria, toda formalização da ocorrência foi repassada para equipe do Rio de Janeiro que deu apoio com informações e investigava Adriano.

Segundo a Secretaria de Segurança petista, no momento do cumprimento do mandado de prisão, Adriano reagiu com disparos de arma de fogo e acabou ferido. A versão oficial é de que ele foi levado ao Hospital São Francisco São Vicente, em Esplanada, mas não resistiu aos ferimentos. No entanto, uma funcionária da unidade disse que Adriano chegou ao local sem vida. O corpo dele foi levado para o Instituto Médico Legal de Alagoinhas.

Ou seja, tudo cheira mal nessa operação policial, levando à forte suspeita de uma execução praticada à luz do dia. O advogado do ex-policial militar do Rio de Janeiro, Adriano Magalhães da Nóbrega, Paulo Emílio Cata Pretta, disse neste domingo (9) que o miliciano expressou no último contato entre os dois o receio de ser assassinado em uma “queima de arquivo”.

Cata Pretta e o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM do Rio de Janeiro se falaram pela última vez na quarta-feira (5), em um telefonema de 20 minutos. O telefone do advogado, muito provavelmente, estava grampeado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

Segundo o advogado, a última ligação com o cliente foi tensa: “Ele falou que estava temendo pela vida dele, porque ele tinha certeza, segundo me disse, que esta operação para prendê-lo não era para prendê-lo verdadeiramente, mas era para matá-lo. Eu disse que não era bem assim, tentei ponderar, até tentei convencê-lo para que se apresentasse a prisão. Ele falou: ‘Doutor, se eu fico preso ou se for achado eu vou ser morto'”.

Ainda segundo Cata Pretta, Adriano não explicou quais informações teria e quem teria interesse em matá-lo para protegê-las: “Ele falou em queima de arquivo: ‘Temo por ser uma queima de arquivo’. Mas eu não perguntei nem quem teria interesse nessa queima de arquivo nem quais eram as informações que ele eventualmente teria”.

O advogado também questionou a informação divulgada Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) segundo a qual Adriano tinha envolvimento com a morte da vereadora comunista Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, em março de 2018. “Ou a polícia da Bahia sabe mais do que a polícia do Rio de Janeiro ou isso é uma absoluta inverdade. Adriano nunca foi acusado disso. Há, na verdade, uma ligação contra Ronnie Lessa e Élcio Queiroz – acho que são esses os nomes das pessoas –, e Adriano nem sequer era suspeito, ele era acusado de formar uma quadrilha na milícia de Rio das Pedras”, afirmou Cata Pretta, referindo-se ao mandado de prisão expedido contra o ex-capitão durante as investigações da Operação Intocáveis.

Apontado como o chefe da milícia Escritório do Crime, Adriano Nóbrega era conhecido como Capitão Adriano. Foragido havia mais de um ano, ele era alvo de um mandado de prisão expedido em janeiro de 2019.

Segundo a Secretaria de Segurança do governo petista da Bahia, o ex-capitão do Bope passou a ser monitorado por equipes do órgão a partir de informações de que ele teria buscado esconderijo na Bahia.A mulher e a mãe de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e Raimunda Veras Magalhães, trabalharam no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje senador, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

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