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Senado aprova em primeiro turno a PEC do Orçamento de Guerra

O Senado aprovou nesta quarta-feira (15) em primeiro turno, por 58 votos a 21, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria o chamado “orçamento de guerra”, destinado exclusivamente a ações de combate à pandemia de coronavírus. Após a aprovação, em sessão remota, os senadores passaram a discutir a votação de destaques apresentados à PEC. A PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas, quando a votação da PEC for concluída no Senado, o texto retornará à Câmara, porque o relator no Senado, Antonio Anastasia (PSD-MG), modificou alguns pontos do texto aprovado pelos deputados.

O objetivo da PEC é separar do Orçamento-Geral da União os gastos emergenciais para conter os danos causados pela Covid-19, o virus da China, no Brasil. Na prática, o objetivo é não gerar impacto fiscal em um momento de desaceleração da economia. O texto aprovado autoriza o governo a gastar recursos, desde que destinados ao combate da Covid-19, sem as “amarras” do orçamento regular. Uma das “amarras” é a “regra de ouro”. A regra está na Constituição e proíbe o governo de contrair dívidas para pagar despesas correntes, como salários.

Com a PEC, o governo poderá adotar processos simplificados de compras, contratação de pessoal, execução de obras e serviços, “que assegurem, quando possível, competição e igualdade de condições a todos os concorrentes”. A proposta também prevê que o “orçamento de guerra” não precisará cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O relatório de Antonio Anastasia determina que os gastos do “orçamento de guerra” serão avaliados separadamente. Portanto, pelo relatório, o presidente da República terá de enviar, 30 dias após o encerramento de cada bimestre, um relatório contendo a prestação de contas específica das ações de enfrentamento da pandemia. Este prazo já existe na execução orçamentária convencional. O relatório prevê ainda que o Poder Executivo terá de publicar, em até 15 dias após a PEC entrar em vigor, as regras para o relatório bimestral.

A proposta autoriza o Banco Central, durante o estado de calamidade pública, a comprar e a vender títulos públicos e ações privadas de empresas, nos mercados secundários local e internacional. O decreto de calamidade vale até 31 de dezembro. Segundo o relator a emenda constitucional “falece”, ou seja, sai da Constituição, quando acabar a calamidade.

A possibilidade criada pela proposta permitirá, segundo o Banco Central, a injeção de recursos em empresas que enfrentam dificuldades financeiras durante a crise do coronavírus uma vez que o Banco Central poderá comprar títulos das empresas e empresar esses ativos a elas sem precisar passar pelo sistema bancário.

Conforme a PEC, o Banco Central poderá negociar os títulos públicos, emitidos pelo Tesouro Nacional. No mercado secundário, investidores negociam entre si as ações, sem a participação da empresa emissora dos ativos. Uma empresa pode abrir capital e vender ações no mercado primário. A Bolsa de Valores é um tipo de mercado primário. Nela, a própria empresa negocia as ações que emitiu com possíveis investidores. O parecer, todavia, restringe os tipo de ações privadas que poderão ser compradas e vendidas pelo Banco Central.

O BC só comprará ações privadas desde que:
– sejam classificadas como “BB- ou superior” no mercado local;
– os ativos tenham comprovação de qualidade de crédito dada por pelo menos uma das três maiores agências internacionais de classificação de risco;
– o preço de referência tenha sido publicado por entidade do mercado financeiro acreditada pelo Banco Central.

O texto define também que os seguintes tipos de títulos de empresas privadas poderão ser negociados pelo BC:

– debêntures não conversíveis em ações (quando o investimento não pode ser transformado em ação da empresa);
– cédulas de crédito imobiliário;
– certificados de recebíveis imobiliários;
– certificados de recebíveis do agronegócio;
– notas comerciais;
– cédulas de crédito bancário.

Essas limitações de compra foram incluídas pelo relator, pois críticos ao texto original da PEC argumentavam que havia brecha para o Banco Central comprar “créditos podres”, dívidas há bastante tempo vencidas e, portanto, de difícil recuperação.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, estimou que a instituição poderá comprar até R$ 972 bilhões em papeis de empresas privadas, se o texto passar no Congresso. Anastasia acrescentou no relatório que haverá prioridade a compra, pelo Banco Central, de ações de micro, pequenas e médias empresas.

O parecer aprovado estabelece também que:
– o Banco Central precisará publicar diariamente as informações das operações realizadas;
– as condições da negociação deverão ser divulgados publicamente dentro de 24 horas.

o presidente do Banco Central terá de prestar contas, a cada 30 dias, ao Congresso; as instituições financeiras que venderem ativos para o Banco Central ficarão proibidas de utilizar recursos na distribuição de lucros e dividendos;
poderá haver venda de ações, pelo Banco Central, após a vigência do estado de calamidade, se isso for vantajoso “sob o ponto de vista do interesse público”.

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