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STF autoriza acesso de ex-presidente do Peru à delação da Odebrecht

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal autorizou hoje (19) a defesa do ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, e da mulher, Nadine Heredia, a ter acesso à parte internacional das delações da empreiteira baiana muito corrupta e propineira Odebrecht na Operação Lava Jato. Em março de 2018, o pedido foi rejeitado por uma decisão individual do ministro Edson Fachin, mas a liminar foi revertida durante sessão do colegiado, que acatou o pleito dos advogados.

Nos depoimentos, o empresário brasileiro Marcelo Odebrecht afirmou ter repassado US$ 3 milhões para a campanha que elegeu Humala presidente em 2011. Com base nas acusações, em julho de 2017, o casal foi preso para cumprir prisão preventiva por determinação da Justiça peruana. A Odebrecht admitiu, perante a Justiça norte-americana, ter pago cerca de US$ 800 milhões em propina em 12 países entre 2001 e 2016, desencadeado uma série de investigações. Oito países, além do Brasil e do Peru, são da América Latina: Argentina, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Panamá, República Dominicana e Venezuela.

Em 2016, uma comissão do congresso peruano que investiga casos ligados à Operação Lava Jato no país decidiu convocar o lobista trotskista argentino Felipe Belisario Wermus, que atua no Brasil e no Peru sob a alcunha de “Luis Favre”, ex-marido da ex-senadora e socialite paulistana Marta Suplicy, e assessor da organização criminosa PT, para prestar depoimento na na condição de investigado. A comissão investigava a ligação do gardelão argentino Favre com o PT e sua relação laboral, contratual ou comercial com as empresas Odebrecht, Camargo Correa, OAS, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão. Mauricio Mulder, congressista peruano que integrava a comissão, declarou na época: “Aprovamos na Comissão Lava Jato que o sr. Luis Favre será considerado investigado por ser gestor de interesses das empresas que estão imputadas no Brasil e aqui no Peru”.

Foram pedidas as quebras dos sigilos bancário e tributário do gardelão Favre. Ele nasceu na Argentina em 1950 e militou no partido de esquerda comunista trotskista “Política Operária”. Em 1970 se autoexilou na França, onde passou a usar o nome de Luis Favre. Em Paris integrou os quadros da Quarta Internacional, organização que prega princípios comunistas defendidos por León Trótski, e trabalhou na gráfica do grupo, sendo nomeado responsável pelos grupos latino-americanos e supervisor da entidade no Brasil, para onde veio em 1985. No Brasil articulou o movimento que acabaria levando a seção brasileira da Quarta Internacional ao PT, mas isto ocorreu no momento anterior à fundação do próprio PT. Uma das organizações trotskistas comandadas por ele foi a Convergência Socialista, que havia praticado “entrismo” e dominado o jornal Versus.

Outra especialidade do gardelão argentino é se ligar a filhas de megaempreiteiros brasileiros. Foi desse maneira que ele acabou ganhando um apartamento de luxo na luxuosa Avenue Foch, em Paris. Uma dessas filhas de megaempresários foi Marília Andrade, filha do dono da empreiteira Andrade Gutierrez, muito corrupta e propineira, tremendamente envolvida nas investigações da Operação Lava Jato. Marilia Andrade era uma militante trotskista, da organização comunista POC (Partido Operário Comunista), e foi enviada para a França por seu pai para ser protegida de investigações. Ela é mãe dessa pretensa cineasta que produziu o documentário sobre o impeachment da mulher sapiens Dilma Rousseff. A quarta mulher foi Marta Suplicy, que tinha separado do então senador Eduardo Suplicy. O namoro anunciado em abril de 2001 acabou em casamento em 2003, com Lula e a primeira dama Marisa como padrinhos. A união durou até 2009. Durante esses oito anos, Favre trabalhou nas campanhas de Marta aos governos estadual e municipal de São Paulo, que acabaram derrotadas.

Favre é um velho conhecido dos peruanos. Segundo o parlamentar Javier Diez Canseco, nos anos 70 ele já andava pelo país, clandestinamente, coordenando grupos trotskistas sul-americanos. Foram esses grupos trotskistas que formaram uma legião militar, para atuar na guerrilha da Nicáragua. Só que foram desarmados e expulsos do país pelos sandinistas. Nos anos 1980 o argentino foi enviado pela Quarta Internacional novamente. Em 2006, por recomendação da organização criminosa do PT, Favre foi contratado pelo então candidato a presidência do Peru, o esquerdista corrupto Hollanta Humala, com o objetivo de se livrar da imagem de “chavista”. Humala perdeu a eleição. Já em 2011. Favre foi responsável pela campanha eleitoral que levou finalmente Humala à presidência.

O gardelação argentino já é alvo de acusações desde seus primeiros contatos com o esquerdista Humala. Em 2006, um assessor presidencial questionou a proximidade de Favre com o presidente A também congressista Marisol Espinoza pediu uma investigação para esclarecer qual a função de Favre no governo e informar quem pagava pelos seus serviços.

Em janeiro de 2016, o gardelão argentino Luis Favre (Felipe Belisario Wermus) foi contratado como assessor de Cesar Acuña, candidato a presidência da República no Peru pelo partido APP (Alianza para el Progresso), investigado pela ONPE (Oficina Nacional de Procesos Electorales). Documentos da Justiça Eleitoral peruana mostram que no dia 18 de dezembro, Acuña teria “emprestado” 1,7 milhão de soles, (US$ 485 mil) a seu partido político. No dia 23, cinco dias depois, o partido fez uma remessa de 1.720.464,40 de soles ao exterior para a empresa brasileira Epoke Consultoria em Midia Ltda, de propriedade de Luis Favre. O registro contábil da transferência tinha uma inscrição ao lado: “Contratação Favre”.

Como a lei que regula as doações eleitorais no Peru proíbe que pessoas naturais e jurídicas doem mais do que 237 mil soles, o aporte de Acuña foi apontado como uma doação “maquiada” de empréstimo. Acuña foi condenado em primeira instancia acusado de ter “presenteado” dinheiro a comerciantes de uma localidade nos arredores de Lima. Acuña é acusado também de ter plagiado sua tese de formatura e a íntegra de um livro. O gardelão argentino Favre renunciou ao cargo de assessor de Acuña no dia 28 de fevereiro de 2016.

Outro escândalo envolvendo o nome do assessor foi o contratado US$ 150.000 firmado em 2011 para assessorar a ex-prefeita de Lima, Susana Villarán, para evitar que ela fosse deposta em uma consulta eleitoral que ficou conhecida como “processo de revocatória”. Essa prefeitura de Lima é muito corrupta, eternamente envolvida em tramas sujas, como no lixo. A coleta, transporte e destinação final do lixo de Lima são de responsabilidade da megalixeira brasileira Grupo Solvi, do megalixeiro Carlos Leal Villa. Toda a diretoria deste grupo megalixeiro já esteve na cadeia, por causa da exploração criminosa do aterro de lixo de Marituba, no Pará.

Favre foi investigado pelo Ministério Público no Brasil em 2007, suspeito de operar duas contas offshore para abastecer as contas do PT com dinheiro ilícito. As suspeitas vieram à tona em 2006, quando Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, operador de câmbio acusado de lavagem de dinheiro, enviou desde a prisão uma série de cartas para sua mulher contando como eram feitas as transações e triangulações de dinheiro que beneficiariam o PT. As cartas deviam ser publicadas caso ele fosse assassinado.

O dinheiro teria sido operado através de duas contas administradas pelo francês Felipe Belisario Wermusdit e pelo argentino Felipe Belisario Wermus. Ambos na verdade eram Luis Favre, segundo “Tonihno da Barcelona”. O francês teria sido responsável pela conta “Naston Incorporation” que fazia as remessas a outras duas contas através da filial do Banco Rural do Brasil nas Ilhas Cayman, o Trade Link Bank. Já o argentino enviaria valores para uma conta da Empire State Scorpus no Panamá. O dinheiro depois retornava ao Brasil através de uma sofisticada rede de operações de câmbio coordenadas por Toninho da Barcelona. Favre foi liberado das acusações. Muito inocente.

O corrupto esquerdista Ollanta Humala e sua mulher Nadine Heredia passaram quase dois anos na cadeia na investigação das corrupções da Odebrecht. Atualmente esperam em casa julgamento pelos crimes de corrupção de que são acusados.

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