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Subprocuradores divulgam carta-aberta contra as atitudes de Rodrigo Aras, o amigão de petistas

Quatro conselheiros da Procuradoria-Geral da República escreveram e divulgaram uma carta aberta para criticar as declarações de Augusto Aras contra as forças-tarefa da Lava Jato. Em documento, os subprocuradores apontam que o órgão é passível de críticas, mas que falas do atual Procurador Geral “alimentam suspeitas e dúvidas” sobre a atuação do Ministério Público Federal.

A carta aberta é assinada pelos subprocuradores Nicolau Dino, Nívio de Freitas Silva Filho, José Adonis Callou de Sá e Luiz Cristina Fonseca Frischeinsen. O documento foi lido durante sessão virtual do Conselho Superior do Ministério Público Federal nesta sexta-feira, 31, que tinha como pauta a proposta orçamentária da entidade para o próximo ano.

“Um Ministério Público desacreditado, instável e enfraquecido somente atende aos interesses daqueles que se posicionam à margem da lei”, afirmam os subprocuradores. Na última terça-feira, 28, o amigão de petistas Rodrigo Aras afirmou que seria hora de “corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure”, indicando que a Lava Jato teve um papel relevante, mas “deu lugar a uma hipertrofia”.

O Procurador geral afirmou que a declaração, no entanto, não significava redução do empenho no combate à corrupção. “A fala de S. Exa. não constrói e em nada contribui para o que denominou de ‘correção de rumos’”, afirmam os subprocuradores. “Por isso, não se pode deixar de lamentar o resultado negativo para a Instituição como um todo – expressando, por que não dizer, nossa perplexidade –, principalmente por se tratar de graves afirmações articuladas por seu Chefe, que a representa perante a sociedade e os demais órgãos de Estado”.

Mais cedo na sessão do Conselho, o subprocurador Nicolau Dino, que assina a carta aberta, acusou o Procurador Geral de cercear a palavra dos membros do órgão colegiado. “Vossa Excelência quer estabelecer um monólogo e não um diálogo. Isso nunca aconteceu na história deste colegiado”, disse Nicolau Dino depois de ter o pronunciamento inicial interrompido por Rodrigo Aras antes de conseguir concluir fala crítica ao chefe do Ministério Público Federal pelos ataques recentes disparados por ele à Operação Lava Jato.

Nicolau Dino chegou a dizer que “invocando o pretexto de corrigir rumos”, Rodrigo Aras fez “graves afirmações” sobre o funcionamento do Ministério Público Federal. Em resposta, o procurador-geral insistiu que não aceitaria “ato político em uma sessão de orçamento”. “Essa sessão é de orçamento. Solicito a Vossa Excelência que reserve suas manifestações pessoais e de seus colegas, meus colegas, para após a sessão. Isso aqui não será um palco político de Vossa Excelência”, rebateu o Procurador Geral da República.

Aras também acusou colegas de vazarem manifestações à imprensa, pediu que as considerações fossem deixadas para o final da sessão e adiantou que pretende rebater os questionamentos com documentos. Conselheiros que participavam da sessão, como a subprocuradora Luiza Frischeisen, saíram em defesa de Nicolau Dino e pediram a chance de se expressarem sobre os ataques recentes dirigidos por Rodrigo Aras à Lava Jato. “Eu acho que é importante que todos nos manifestemos nesse órgão colegiado e possamos debater com Vossa Excelência como Vossa Excelência tem debatido com outros profissionais do Direito. Vossa Excelência debateu com advogados, senadores da República”, disse. (OESP)

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